A criatura que domina o criador

Pessoas que assistem muita TV pode ser consideradas alienadas? A cabeça dessas pessoas estão dentro da “caixa”? A informação que lhe é apresentada e imposta é o meio que a maioria tem e por esse motivo vivem suas vidas de acordo com o que a TV impoem?

Eu não vejo TV, tenho uma no meu quarto que liguei para ver filmes quando estava com dengue, apesar de ter canais fechados, não sinto necessidade nenhuma de procurar algo para ver. Meu meio de comunicação é através do notebook, vou atrás de informação.

Conheço uma pessoa que acha bonito falar “eu assistir quase todos os filmes do netflix”. Quando ouvi a primeira e única vez fiquei com vergonha, um homem com quase 50 anos que não quer trabalhar ficar no quarto dia e noite vendo filmes e séries me deixou perplexo.

Assisto filmes sim, vejo séries, mas quase sempre no fim de semana, dia de semana tenho o meu trabalho em casa, aproveito para ler livro, fazer outras coisas num intervalo, mas dedicar a minha vida para a TV é demais para mim, me recuso a acreditar que as pessoas ainda são assim.

Um amiga já me disse há anos que sou alienado, eu não sei nada sobre novelas, jornais que passam na TV, fofocas, nada do mundo televisivo e depois de um tempo percebi que viva fora da caixa, mas conheci outras pessoas e me vi de fora da caixa delas.

Aos poucos fui mostrando que as verdadeiras informações estão do lado de fora, que tudo é melhor, maior e com o tempo a minha visão foi se solidificando em termos de ser respeitada, hoje ninguém puxa assunto comigo sobre o que passa na TV.

A músicas “Televisão” do Titãs” é tão atual que penso como que ainda não incomoda a maioria que se diz inteligente. A TV ainda é o centro das atenções entre os mais velhos e alguns jovens, em segundo lugar está o celular, mas quem o controla é tão controlado por ele que acha que está no controle, mas não.

Celular, computador são formas de agregar conhecimentos, descobrir coisas novas, encontrar fontes de informações de grande valia, maioria não sabe usar, são levados por “blogueiros(as)” e pessoas medíocres que nada oferecem de real.

“Blogueiros(as)”são pessoas reais que influenciam outras pessoas reais que não tem opinião própria, são os novos artistas mundiais, grande marcas patrocinam eles para venderem mais seus produtos, mas qual a necessidade real disso?

Gosto de música, quero conhecer novas bandas, então entro em sites especializados em música e faço uma pesquisa, sigo algumas gravadoras no youtube que constantemente divulgam seu catalogo ouço alguma coisa boa lá.

Isso que estou dizendo, temos a ferramenta diante de nós, precisamos entender quem está no controle e quem está querendo controlar, a partir daí fica fácil separar o que vale a pena descobrir, conhecer e o que é lixo virtual (inclusive para o mundo real).

Como já disse Gabriel O Pensador, “o porquê é o segredo” e quando temos isso enraizado é mais fácil entender as coisas, não ser levado por qualquer um e ter uma postura questionadora, sempre se deve perguntar, questionar e se o questionado não souber responder, já sabe que não deve “seguir”.

Promessas

O que faz com que sejamos obrigados a cumprir promessas para pessoas que já se foram? Qual o sentido de fazer algo por alguém que não está mais entre nos (fisicamente)? Seria errado simplesmente dizer “eu prometo” e após a partida da pessoa simplesmente não cumprir? Questiono se as pessoas que já se foram e fizeram outros prometerem algo, será se estão realmente se importando com algo terreno? Já não são humanos, perderem seus corpos terrestres, estão em espíritos.

Até hoje não me pediram para prometer nada, também se me pedirem provavelmente evitarei, maiorias das promessas são fardos muito pesado para quem aceita, da mesma forma que espero que pedir nada para ninguém quando estiver (e se tiver a oportunidade) perto do meu fim, não sei se é justo fazer isso com as pessoas à nossa volta.

Acredito que para pais que deixam filhos, pedir para alguém próximo e de confiança da família que cuide dos filhos seja uma promessa que conforte o coração daqueles que estão indo. Mas na vida real, quando isso acontece, não é como os pais ausentes gostariam que fossem (já vi alguns casos).

Não sou um acumulador mas tenho cds, vinis, dvds, fitas k-7, livros e tenho apego por esses objetos, sei que na minha falta alguém terá acesso e venderá tudo, vai lucrar, mas o que posso fazer? Não posso pedir para guardar, valorizar, fazer uso, não posso. Se pudesse, será que eu me importaria estando noutro plano? Não sei, só sei que o ato de prometer está, na maioria das vezes, muito além da nossa capacidade.

E o sono somos quase um

Acordo cedo, não durmo muito bem a noite, se tenho que levantar para ir ao banheiro na volta para cama perco o sono por alguns bons minutos, permaneço o dia todo com sono, a cada oportunidade de encostar meu corpo e poder fechar meu olhos e dormir, aproveito, sei que não dura mais que 20 minutos e acordo com sono novamente. Quando eu era mais novo e ouvia das pessoas o quanto era bom dormir eu discordava internamente, queria aproveitar o dia quando acordasse mas algo mudou no meu corpo, já tem alguns anos que a necessidade de dormir e dormir é constante, é crescente.

Sei que não é depressão, tristeza, melancolia, ansiedade, sinto um cansaço real. Já que li que dormir com barulhos faz que o cérebro permaneça trabalhando direto, não há descanso e como durmo ouvindo músicas acredito que também seja um fator determinante. Antes de dormir não fico pensando nas coisas que aconteceram no decorrer do dia, não fico remoendo nada de desagradável, pelo contrário, sou extremamente grato pelo meu quarto, hoje está mais do jeito que eu gosto, a minha cama não é super confortável mas é a cama que me acolhe, me deixa feliz quando estou nela. Meu quarto é meu santuário, sinto-me seguro dentro dele, acolhido, parte dele.

Sentir sono constante é um incomodo imenso, enquanto que poderia ver filmes até mais tarde ou ler livros, acordar mais cedo por vontade própria, viver o dia de forma mais longa, prefiro ficar deitado, dormir relativamente cedo (trabalho das 14h às 22h e por mais exausto que seja, vou dormir pouco antes das 23h e acordo sempre antes das 8h sem necessidade). Sei que acordando antes das 8h todos os dias, se permanecer deitado consigo voltar a dormir um pouco mais, mas não consigo, simplesmente levanto, tomo café e permaneço com sono.

Já li que sonolência pode ser problemas no fígado, meu último exame há 1 anos atrás deu problema, tomei remédios e não repeti os exames. Quando consumo álcool, não passo mal, não fico “empanzinado”, mas sinto-me inchado depois (acredito que todo mundo). Então, pode ser fígado, cansaço mental, preguiça mesmo ou algo que está além do meu entendimento (por conveniência ou desconhecimento mesmo).

Segunda metade novembro 2020

Não posso desviar meu olhar do foco que logo me perco nos pensamentos sombrios, pensamentos que vem e vão atormentando minha suposta paz, tirando a alegria de um breve momento, talvez seja na tentativa de mostrar quem realmente manda, quem controla tudo, desde o real até o irreal, o eterno fantasma.

Dizer que não gosto disso é redundante, cansativo, mas deixar acontecer e não expressar é pior, é a declaração que eu sou passivo, não gosto da situação nem dos caminhos que os pensamentos seguem, conheço o início de muitos deles mas não sei como evitar, parece que ao me aproximar já estou percorrendo todo o caminho.

Música, filme, livro, sexo… tudo ajuda, tudo é permitido, mas não são constantes, impossível manter-se ocupado 24h direto, posso até consegue a exaustão, mas quando fecho os olhos e adormeço, outro universo surge, toma conta e suga toda energia que eu tento carregar para conseguir levar ao amanhecer.

Sonhos, paranóias, medos, dúvidas, frustrações… são situações que além de sugarem a minha energia me deixam num estado de alerta desnecessário, me reduz a pó por não conseguir me separar deles, como se eu estivesse me segurando no parapeito de um prédio muito alto sem onde firmar as mãos, sem muito espaço para firmar meus pés e somente a sorte do meu lado (que é nula).

Quando há algo não palpável é mais difícil remover, tente se convencer que o invisível não machuca, não atrapalha, na faz nada é tão impossível quanto tentar respirar em baixo d’água (duas situações impossíveis, porém uma real e a outra mais real ainda para um ansioso).

I Origins (Universo no Olhar) Filme – Spoilers

Não lembro em que ano vi o filme pela primeira vez, não sei como encontrei ele mas sei que baixei, assisti e meus olhos lacrimejaram com o seu final.

Imagina você apaixonado(a) e perde a outra pessoa de forma traumática (o casal estava no elevador que fica preso entre os andares, então tentam sair por conta própria, mas ao conseguirem parte do corpo da mulher é arrancado quando o elevador volta a funcionar) e o homem que achava que tinham conseguido tem a esposa morta em seus braços.

Anos depois ele encontra uma menina indiana que tem os mesmos olhos da esposa falecida e decide fazer alguns testes com ela. Ao termino dos testes (eles que estão num quarto de hotel) saem para ele levar a menina de volta para a sua família e enquanto aguardam o elevador a menina começa a respirar profundamente e ao abrir as portas ela abraça ele e começa a chorar.

Nessa cena toca de fundo “Motion Soundtrack Picture” do Radiohead e quando ele percebe que ela é de fato a reencarnação de sua esposa, você do lado de cá desmorona por completo.

Quantas pessoas gostaríamos de reencontrar mesmo que estivessem em outros corpos? Eu adoraria pode conhecer pessoas que fossem a reencarnação do meu avô/avó paterna, meu tio irmão do meu pai, foram pessoas que fizeram parte da minha vida até pouco tempo atrás e queria sim poder conhecer novamente eles, talvez acreditar que a química entre nós é real ate após a morte.

Vi parte do filme agora (a cena do elevador que mata a esposa e do elevador que a menina chora) e novamente uma lágrima escorreu dos meus olhos. Todas vezes que vi esse filme aconteceu a mesma coisa.

Ontem perdi um quase tio, por consideração foi alguém que estava com a nossa família desde os meus 15/16 anos (talvez eu tenha menos idade quando conhecemos ele) e ele se foi. Bebia demais mas era bom coração. Uma vez passei a virada de ano com ele, foi bom, foi diferente. Ele se foi e o meu sentimento é que ele encontre o meu avô (que foi através dele que conhecemos ele), meu tio, que ele fique bem onde estiver e nós aqui, a sensação é que ele está num plano muito melhor que nos.

Espero um dia encontrar ele aqui ou lá.

Radiohead – Kid A

Estava eu vendo um programa na TV a cabo em 2000 quando o Radiohead apresentou-se ao vivo a nova música de seu novo disco, The National Anthem, naquele momento eu estava habituado com a sonoridade do álbum “Ok Computer” e “The Bends” e quando começou a música era algo completamente novo, estranho, fantasmagórico, sombrio e cheio de camadas e sonoridades.

Pouco tempo depois dessa apresentação eu comprei o cd e a primeira audição foi algo que não esperava, nada tinha de Radiohead ali, não exista nem um trecho que lembrasse os álbuns anteriores deles e lembro de ler numa revista de época que o álbum era algo que não dava para ouvir e sair assobiando depois as músicas, um álbum cheios de camadas pseudo-eletrônicas que não é eletrônico, alias é bastante orgânico de forma geral.

Claro que estranhei mas gostei, passou a ser meu favorito e no ano seguinte eles lançaram “Amnesiac” que pouco lembrava o Kid A e pode-se dizer que é mais voltado para um tipo de Free Jazz contemporâneo, talvez Fusion, o que é certo é que se o Kid A já era estranho e, com Amnesiac ficou mais que certo que a banda não era a mesma, eles queriam nova identidade, nova roupagem, nova abordagem, e conseguiram.

Outra matéria que li na época sobre a mudança de sonoridade foi que eles queriam ser diferente de outra banda que estava fazendo a mesma coisa que eles fizeram no “The Bends”, essa banda é o Coldplay e curiosamente o Coldplay depois de anos sendo uma cópia de Radiohead com U2 lançam um álbum de música eletrônica (coincidência ou não, mas para mim Coldplay é cópia sim de Radiohead, isso não quer dizer que eu não goste, gosto de algumas músicas mas com certeza não compraria cd deles e colocaria na minha coleção).

Kid A para mim simboliza transição, seja da banda como da minha vida. Na época eu estava num namoro de 5 anos que acabou no mesmo ano de 2001 e com o sofrimento do término era impossível ouvir Radiohead e não se sentir mais triste, mais deprimido e essa sensação permanece até hoje (de certa forma, pois consigo ver a tristeza nas músicas com uma beleza única).

Hoje decidir ouvir o álbum quase inteiro (ouvi até a penúltima música) e a sensação foi diferente das outras vezes, um misto de sentimentos tomaram conta de mim, o desconhecido (devido a sonoridade fantasmagórica), o sombrio (as camadas de sons), a beleza (a tristeza não é uma constante no álbum inteiro, porém o sentimento é misto, tem uma música em especial “How to Disappear Completely” seria a versão mais deprê de “No Surprises” do álbum “Ok Computer”, como ouvi uma vez sobre o clipe de “No Surprises” “é o tipo de música que se ouve enquanto corta-se os pulsos”, claro que não é apologia ao suicídio, mas a sonoridade te deixa mais vulnerável.

Dizem que no álbum “Ok Computer” a banda se estabeleceu, foi o ápice, mas para mim foi em “Kid A” que a anda mostrou que tem muito mais a oferecer do que música alternativa radiofônica, mas é claro que “Ok” é um puta disco, mas não tem o mesmo brilho experimental do sucessor. Então para mim a banda é dividida entre 3 fases inicias, 1º com “Pablo Honey”, 2ª com “The Bends e Ok Computer” e a 3ª com “Kid A” em diante.

Playlist para se ouvir com a luz apagada usando fones e deixando a mente viajar na sonoridade.

Desejo sombrio (série) – Spoilers (alguns)

Série mexicana (ou novela mexicana) que no inicio prende a atenção mas aos poucos se mostra confusa, cheia de reviravoltas e final ridículo.

Antes de escrever a partir desta linha, eu fiz um resumo bem básico sobre os acontecimentos até a metade da série, mas para explicar a outra metade seria necessário explicar coisas que omiti no inicio e meu texto também ficaria confuso, portanto vou resumir da melhor forma possível.

Alma, doutora em feminicídio que dá aulas na Faculdade é casada com Leonardo, um juiz incorruptível que luta contra o feminicídio e ambos tem uma filha, Zoe, estudante de medicina que adora ver corpos sem vida na internet. Leonardo tem um irmão, Esteban, manco que no auge de sua carreira na policial se vê fora por conta da perna, um tiro que levou quando estava saindo da casa de sua amante e amiga da família, Brenda, que é descoberta morta em sua banheira com os pulsos cortados numa noite posterior a uma festa. Darío é um jovem que se envolve com Alma, numa noite de sexo casual e desperta interesse romântico por ela, porém ela casada se deixou levar por essa noite de sexo por suspeitar que seu marido estava traindo ela com a secretária Edith.

A série tem tanta trama, tanta volta no passado sem explicar direito que se tratava de passado que na sua metade se torna maçante, chata, a cada surpresa você busca em sua memoria o que aconteceu para aquele acontecimento e te digo algo, dificilmente vai te convencer. As cenas de sexo entre Alma e Darío, Brenda e Leonardo ou Brenda e Esteban devem ser o que o roteirista (ou a roteirista) inventaram para prender a pessoa que está assistindo (pois acredito que devem ter pensado “nossa trama é rasa e superficial e não conseguiremos prender as pessoas, então vamos apimentar nas cenas de sexo”).

São 18 episódios que poderiam muito bem ser condensados em 10, talvez 8. Alma é o “objeto” central, objeto sim, ela é amada por Leonardo, Darío, Brenda (como amiga mesmo) e por fim Esteban (putz, se pensaram que seria um plot twist fracassaram). Lembra das novelas mexicanas que passavam no SBT com suas tramas surreais? Então, Desejo Sombrio não é diferente.

Minha observação. Série burra, cheio de “encheção de linguiça” para justificar uma cena, o entrelaçamento entre os personagens não tem lógica alguma no último episódio e o óbvio continua sendo óbvio.

Quer ver algo que mexa com a sua cabeça, tenho certeza que outras séries vão satisfazer, se quer ver a Maite Perroni praticamente nua (não mostra os seios direito), esqueça, sua amiga Brenda tem os seios muito mais expostos, se quer trama policial, aqui não há tramas, somente policia (nem direito fazem), então, não perca tempo vendo algo que tem uma pontuação boa na plataforma (Netflix) ou mediana (IMDB).

Stephen King

Sempre gostei dos filmes baseados nas obras do SK mas toda vez que lia a respeito diziam que o final era diferente do livro, então resolvi ler alguns livros/contos que foram adaptados para o cinema.

O bom dia livros são as construções que SK cria com maestria, o terror, horror, medo são mostrado aos poucos até chegar ao clímax. Os detalhes também são bastante interessantes, cada personagem parece ter vida própria, o desconhecido parece que está à espreita enquanto você está lendo o livro. Nós livros não há sustos, mas há muita tensão, a sensação de medo é constante.

O ponto baixo dia livros são os finais, não justifica toda a riqueza da história, o próprio já disse que seus finais são uma bosta. Quando assisti o filme O Nevoeiro achei o final chocante, quando acabou fiquei tipo entorpecido pelo desespero do protagonista e lembro de ler que SK tinha gostado mais do final do filme do que seu próprio livro (está na minha lista de leitura).

Um conto que li recentemente extraído do livros “Sombras da noite” foi “O Bicho Papão” e fiquei imaginando como seria uma ótima história para um filme. O conto é rápido, um pai que vai a um psiquiatra para confessar que matou seus três filhos, mas a medida que o pai vai relatando como que o filhos morreram percebe que a situação não é bem como ele diz inicialmente. O fim do conto é extraordinário, perturbador que faz percorrer frio na espinha.

Sempre que leio um livro do SK e decido ler outro livro eu evito ler na sequência livros dele, apesar de me prenderem, a imersão é grande e preciso de um tempo para processar melhor, por isso passeio entre o terror, ficção, suspense, biografias, mistérios…. entre outros gêneros.

Minha paz de espírito

Chuva, frio, céu nublado, o mundo desaba lá fora e aqui dentro tenho um livro para ler, John Coltrane para ouvir, enquanto estou confortavelmente encaixado na cama, pego meus óculos, abro o Kindle e entro num universo paralelo. A chuva me faz viajar nas palavras, as vezes paro para ouvi-la, penso que poderia beber um café numa panificadora aconchegante, mas logo prefiro ficar no aconchego do meu quarto. John Coltrane me faz companhia a noite toda enquanto durmo com o volume baixo para não atrapalhar o som da doce chuva caindo lá fora. Tenho as melhores companhias do mundo, só lamento que a noite é relativamente curta, o momento passageiro e a chuva, bem que poderia ser diária junto do frio.

Mundo hospício

Essa semana joguei fora uma amizade de mais de 20 anos, uma amiga que acreditava ser minha amiga mas que tirou a máscara e mostrou quem realmente é. No momento que estava respondendo ela já sabia que eu iria chutar o balde, minha paciência tem limites. O motivo foi um tablet da Samsung todo fodido que não liga e se você achasse ele no lixo teria nojo de colocar as mãos. Quando ela trouxe eu disse que não sabia mexer, que era para ela levar de volta mas ela insistiu que eu tentasse e deixou comigo. Dias depois ela queria pegar, mas não tinha como pegar e a coisa foi ladeira abaixo. Em outra ocasião ela disse que o tablet era lixo, que se eu quisesse poderia fica com ele (que neguei a oferta), depois ela disse que o tablet não era dela e que precisava devolver ao dono (um primo), depois disse que o tablet não era dela (de novo) e que eu estava querendo ficar com ele (hã?), depois ela disse que o filho dela brigou com ela por causa do tablet que ele queria. Estão vendo as contradições? Eu sugeri levar na casa dela e ela não aceitou, então depois dela me ofender dizendo que eu queria o tablet, chutei o balde, falei o que precisava ser dito e ela começou a me responder de outra forma, dizendo que nunca fui amigo, que ela precisava de pessoas com atitudes positivas, que a amizade tinha acabado ali (atitudes positivas, eu ser acusado de apropriação indevida e “jogar” na cara dela que tudo foi ideia dela). Depois de muita troca de mensagens, resolvi não ler a última e depois descobri que ela tinha me bloqueado em tudo (redes sociais, whatsapp) e fiz o mesmo para ela sentir quando a raiva passar que desta vez foi sério o que ela fez comigo.

Essa pessoa tem problemas sérios de atitudes impulsivas, só se deu mal na vida por agir primeiro e pensar depois (bem depois mesmo) e não aprendeu nada com os próprios erros. Eu vendo tudo isso preferia fingir que não me atingiria um dia, pois sou um observador, conheço as pessoas ouvindo delas mesmas, tentava explicar para ela que parte dos problemas dela são culpa dela mesma, isso não agradava ela pois sempre me respondia “sou impulsiva mesmo, nunca vou mudar”. Puta que pariu, como que uma mulher de 41 anos tem essa atitude de “nunca vou mudar” quando tudo que ela faz dá errado? Todo mundo precisa mudar. No momento que respondia ela não era tomado por fúria, raiva, não me sentia ofendido, na verdade fui realmente frio com ela e com a situação, não usei palavras baixas, não ataquei ela, simplesmente mostrava o que ela estava fazendo e as respostas dela nada tinham a ver com o que eu escrevia. Preferi jogar fora essa amizade do que me desgastar com a pessoa que não tem nada a me oferecer, pessoa medíocre que não lê livros, não assiste filmes que faça pensar, tudo o que conversávamos eu tinha que explicar detalhadamente pois ela não entendia nada (isso com coisas simples como montar um CV, usar redes sociais), ah, vim para esse mundo para agregar conhecimentos e não ficar somente eu informando e não tendo nada em troca.

Outra situação de merda. No meu aniversário deste ano fomos a uma pizzaria, o clima estava estranho, meus pais com a cara amarrada, minha irmã e seu marido estranho e a minha sobrinha nem veio me cumprimentar (todos aniversário ela fazia uma gracinha, nesse não). Pedimos a pizza e teve um momento que a minha irmã começou a falar dos meus erros, meus fracassos do passado e para piorar justificando os erros da filha como herança genética minha (ridícula). Ela não parava de apontar o dedo para tudo o que fiz de errado, o clima que não estava bom ficou pior e no dia do meu aniversário. Esse fim de semana ela me marcou numa postagem do facebook que denegria a minha imagem e para piorar marcou a nossa mãe como se ela fosse culpada. Não aceitei a marcação, não curti e deixei de lado.

Minha irmã teve uma trombose que, na época era eu quem levava ela para cima e para baixo nos hospitais e clinicas. Quando a minha sobrinha nasceu, ela deixava a filha comigo e/ou nossa mãe para olhar. Alguns anos atrás ela teve trombose de novo, eu levei ela nos hospitais (de novo) e mesmo assim ela não aprendeu nada. Ela é uma contadora que batalhou e conquistou tudo sozinha e isso seria motivo de orgulho próprio, mas não. Sou um cara que trabalha como analista de suporte de TI e que ganha pouco mas que não tem problemas com ninguém, todos que me conhecem gostam de mim. Já no caso da minha irmã, quase ninguém suporta ela, não tem amigas de muitos anos e no trabalho é vista como boa profissional porém ninguém gosta dela como pessoa. Enquanto sou alegre, me divirto com pequenas coisas, faço graça de tudo e levo a vida de acordo com a minha realidade, acho que incomoda ela, enquanto sou quebrado (financeiramente) e ela tem uma condição financeira muito boa, parece que ela tem uma inveja de mim que não entendo e isso é desde muitos anos. Nosso pais sempre foi “secão” conosco, comigo então era demais, com ela ele conversava, dava atenção, comigo dava dinheiro para comprar CDS, cachaça e isso incomodava ela (o “amor” que ela tinha em forma de demonstração do nosso pai não era suficiente e a falta desse “amor” para mim era compensada em coisas materiais). Se reunir umas 10 pessoas e perguntar a opinião deles sobre nós dois te garanto que pelo menos 8 a 9 pessoas vão falar bem de mim enquanto talvez 1 ou 2 falarão bem da minha irmã (como pessoa).

Minha ex esposa, enquanto estávamos juntos, era arrogante, estupida, se achava a vencedora, batia a mão no peito quando se referia as coisas dela (meu apartamento, meu carro, meu notebook, meu isso, meu aquilo) e isso me incomodava muito. Uma pessoa que no primeiro momento era agradável mas quanto mais a conhecia ela se mostrava. A máscara dela não era permanente, apesar que durava muitos anos, mas como o tempo é implacável, a mascara dela caía lentamente. Eu já vi ela humilhando a mãe, o pai, os amigos, menosprezando pessoas que pessoalmente ela gostava mas nas costas falava mal (criticava todos pelas costas). Uma mulher estranha que, mesmo apaixonado por ela na época já enxergava os defeitos perfeitamente, sabia com quem tinha casado e sim, quando acabou sofri muito, mesmo colocando na balança as qualidade e defeitos dela. Por causa dela tive problemas com um amigo e duas amigas de muitos anos, ela com raiva ou sei lá o que, me jogou contras essas pessoas e eu que tem paciência até certo ponto, preferi descartar as amizades e seguir a minha vida em paz e harmoniosamente comigo mesmo.

Não sou o exemplo de pessoa expondo essas três, estou desabafando pois não gosto desse tipo de coisa, não faço mal a ninguém, não humilho, quem me conhece sabe que sou tranquilo e sim, tenho milhares de defeitos mas não deixo que eles sejam maiores que eu mesmo e trate as pessoas mal. Agora tenho menos uma amiga (amiga por conveniência, eu sabia que ela não era de confiança e no passado falou demais para um amigo em comum que depois fiquei sabendo), com menos amigos percebo que a minha própria pessoa já basta em muitas das vezes. Essas três situações são quase cotidianas para mim, tem mais pessoas à minha volta que são medíocres, que se deixarem sobrem em cima e cagam na sua cabeça.